
O Barcelona arrancou a temporada com tudo e tem tirado o sossego a quem se atreve a cruzar o seu caminho. Os “culés”, sem qualquer piedade, seguem invictos e com um arsenal ofensivo completamente destruidor, somando até ao momento 48 golos em apenas 11 jogos realizados. Tudo isto enquanto procuram fazer uma recuperação financeira, mas com uma ideia clara no plano desportivo: apostar em jogadores que entendam uma filosofia voltada para o ataque posicional. E essa linha de pensamento já nasce no seio das camadas jovens, que muita matéria-prima têm oferecido ao plantel liderado por Hansi Flick.
Ao olhar para o plantel percebemos que há aqui uma simbiose muito clara e que permite várias abordagens no mercado. Casos de apostas diretas da “La Masia” (Cubarsí, Fermín, Yamal ou Gavi), o regresso à casa mãe (Olmo e Eric Garcia) e a aquisição de valores do mercado nacional com um ADN que também já está fortemente implantado no futebol espanhol – onde se enquadram Pedri (Las Palmas), Joan Garcia (Espanyol) e Gerard Martín (Cornella). O resguardo financeiro neste tipo de operações permite, ainda, aproveitar as oportunidades do mercado internacional e, em situações específicas, abrir os cordões à bolsa. No último defeso, as grandes investidas acabaram por ser as contratações de Rodri (Manchester City), por 60 milhões de euros, e a Anthony Gordon (Newcastle), por 80 milhões.
Uma metodologia muito característica que permite ao Barça competir ao mais alto nível com uma base pouco comum nos tempos atuais. Entre as escolhas para o 11 inicial, os catalães, em média, tem utilizado apenas 3,1 atletas por jogo oriundos de outro país. Um número impressionante tendo em conta os 6,1 e 9,27 dos rivais Atlético de Madrid e Real Madrid, respetivamente. Mas a notabilidade deste registo não se fica por aqui. Ao olhar para fora do espaço geográfico espanhol, os números continuam a não ter par. Entre as grandes potências europeias, Liverpool (10,2), Manchester City (8,18), PSG (7,81), Inter de Milão (7,81), Arsenal (6,45) e Bayern de Munique (6,1) apresentam dados bem superiores esta época.
E focando no contexto das provas europeias, a última jornada será a prova perfeita desse registo do Barcelona. Na vitória diante o Galatasaray, por 4-1, apenas João Cancelo (português) e Anthony Gordon (inglês) alinharam ao lado dos nove jogadores espanhóis. Um registo que só Estugarda (2) e Bodo (1) conseguiram acompanhar.
Sem um desafio verdadeiramente claro neste começo fulminante, resta perceber como é que este elenco especial do Barcelona irá adaptar-se aos jogos de maior exigência. E a resposta poderá estar ao virar na esquina, com os duelos agendados frente ao bicampeão europeu PSG (20/10) e o Real Madrid (25/10) no espaço de cinco dias.
