Arsenal, quem te viu e quem te vê

Jogadores do Arsenal em comunhão com os seus adeptos

Créditos: Fotos retiradas da página de Facebook do Arsenal

Todos os anos eu gosto de chegar a meio da época e refletir um pouco sobre qual é a equipa, de acordo com a minha forma de observar o jogo, que se revela a sensação da época. Se no ano passado senti isso com o Sassuolo de Roberto De Zerbi, este ano, a resposta será: Arsenal.

No início da época quando vi a construção do plantel confesso que estava à espera de uma época mais produtiva que as anteriores, contudo, e aqui uma enorme falha minha, facilmente percebo que esta foi uma previsão muito pouco otimista. Atualmente, os gunners são uma das equipas que pratica do melhor futebol da Europa, e se esta opinião não é consensual, peço para que, pelo menos, fiquem para ler o meu ponto de vista e compreender os meus argumentos.

Ao pensar neste Arsenal será impossível não recordar o desastroso início de temporada. Após três derrotas nas três primeiras jornadas da Premier League – a primeira frente ao recém-promovido Brentford, depois contra o Chelsea e de seguida uma goleada de mão cheia contra o Manchester City – em exibições muito pobres, convém referir, o Arsenal passou a ocupar os últimos lugares da tabela e rapidamente se tornou motivo de chacota e, muito possivelmente, um motivo de desespero para os seus adeptos. À primeira vista os indícios não eram os melhores e as razões para duvidar muitas, inclusive Mikel Arteta passou por momentos muito complicados, mas, e há sempre um mas, o futuro muda e de que forma. O Arsenal começou por apresentar exibições muito mais consistentes, onde nasceram figuras como: Ramsdale, Ben White, Odegaard, Smith Rowe, Saka, Martinelli e Tierney.

Inicialmente muito contestado, as ideias de Arteta começaram a ganhar força e a equipa de Londres passou por ter uma identidade de jogo muito caraterística. Uma equipa que joga com muita intensidade, forte no momento de construção, inclusive a conseguir sair a jogar face à primeira zona de pressão dos seus adversários, com momentos muito bons de triangulações e de ligações a partir do seu jogo interior. Este é um Arsenal que, apesar de tudo, não se limita a uma forma de organizar o seu jogo com bola. Esta é uma equipa com várias caras, com capacidade de mudar a sua abordagem para, por exemplo, uma componente onde a chave será o momento de exploração da profundidade de Martinelli e Saka, jogadores estes que provocam muitos estragos no ataque às costas dos seus oponentes. Um plantel com várias estratégias, mas que no fundo apresenta uma única identidade. O método é sempre o mesmo, a sua definição é que poderá ser diferente.

Na minha opinião este Arsenal, após o super Manchester City, é a equipa que prática o futebol mais atraente de Inglaterra – não confundir o mais atraente com o melhor ou o mais eficiente.

Se há coisas a melhorar? Muitas. E passo a enumerar:

  • É necessário um central para apoiar Ben White, passando talvez a sua solução por Saliba. Este emprestado ao Marselha e a realizar uma excelente época;
  •  Um lateral direito com maior envolvência na organização ofensiva da equipa, com capacidade de chegada, não tanto explosivo, mas com forte participação no ataque posicional, algo que por vezes tentam replicar;
  •  Um médio com maior critério na decisão e no apoio a Tomas Partey, este com um maior compromisso defensivo e explosivo com bola;
  • Em último lugar, algo que todas as equipas precisam: Um avançado com capacidade de finalizar, no atual sistema, um Lacazette é muito curto.

Ao olhar para épocas anteriores facilmente afirmo que este é o melhor Arsenal dos últimos anos. Uma equipa que já não perde pontos em jogos mais acessíveis e que, aos poucos, vai se revelando competitiva perante os seus rivais. Este é o Arsenal de Arteta, um Arsenal que com bola se revela muito efetivo e com capacidade de ferir qualquer adversário, todavia, uma equipa ainda muito vulnerável na defesa. Já no espetro individual, penso que quando Saka for um jogador muito mais maduro e com maior critério no momento de definição, este e a equipa serão uma dor de cabeça muito maior.

Um Arsenal que promete e ao qual todos nós devemos prestar atenção!

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